Viúva Negra vem aí depois de muito tempo. A não-super heroína ruiva e poderosa de Scarlett Johansson se tornou um ícone cinematográfico instantâneo no momento em que ela socou o primeiro valentão em Homem de Ferro 2. Ainda assim, apesar de Johansson já ter falado sobre seu desejo de fazer um filme solo por quase uma década, somente agora tudo se juntou para fazer essa visão se tornar realidade. Desde que Natasha Romanoff confessou ter um vermelho em sua conta que ela gostaria de limpar em Vingadores em 2012, espectadores sabem que há uma história complicada que vale a pena ser explorada. Foi uma longa espera para os fãs, claro, mas não uma espera frustrante para Johansson.

“Eu não senti que a personagem precisava ser vingada”, Scarlett conta a Total Film pelo Zoom depois de ser perguntada sobre a luta para dar vida ao filme solo da Viúva Negra. “Quando nós terminamos Vingadores: Ultimato, eu me senti bem em relação ao trabalho que fizemos. Eu senti que, a não ser que nós fossemos a fundo, o que esse filme fez… Eu pensei, ‘Ok, ela…”

Johansson para por um segundo para meditar sobre sua resposta. Ela passou os últimos 10 anos com o time anti-spoiler da Marvel escutando todas as conversas e agora não seria o momento para deixar escapar algo, especialmente com o final da sua jornada como Viúva Negra à vista. Atrás dela hoje, entretanto, não há agentes da imprensa – somente uma parede branca neutra com uma janela solitária com vista para a natureza.

“Eu amo a Natasha,” ela recomeça. “Ela teve uma jornada de dez anos incrível, e eu senti que ela finalmente pôde fazer uma escolha ativa.” Ela está se referindo à decisão controversa da Viúva Negra de se sacrificar para obter a Jóia da Alma em Vingadores: Ultimato. “Pareceu condizente com a personagem, aquele último sacrifício que ela faz. Ela estava em paz com aquilo, e, de certa forma, ela sabia que era seu destino o tempo todo, de uma forma estranhamente poética. Quando você olha para os outros filmes, está lá. Todos os filmes a levaram àquela escolha ou de ser capaz de fazer aquela escolha; ou que isso pudesse ser uma escolha.”

Com o destino final de Natasha selado e sua história satisfatoriamente contada, Johansson se questionou sobre o que faltava contar em uma história solo. Para o filme valer a pena, teria que ser criativamente desafiador e, como Johansson diz, descascar as camadas para “encontrar a parte vital da jornada dessa personagem”.

A chave foi encontrar Cate Shortland. A Marvel tem criado o hábito de pegar bons diretores indie como Taika Waititi, Ryan Coogler e James Gunn e lhes dar uma plataforma multi milionária para contar histórias de super heróis. Apesar disso, para Shortland- cujo currículo inclui o drama da Segunda Guerra Mundial Lore e o thriller de sequestro Berlyn Syndrome – havia uma hesitação em aceitar o trabalho.

“Scacrlett e eu conversamos por Skype quando eu estava na Australia,” ela diz, também pelo zoom (O Skype saiu de moda durante a pandemia). “Eu estava tentando descobrir se eu queria fazer o filme, por que eu não conseguia acreditar que eles estavam me pedindo. Eu pensei, ‘que mistura estranha. Eu e a Marvel?”

Houveram horas de conversas mas, eventualmente, a diretora estava convencida de que seria um personagem interessante de investigar. Shortland rapidamente começou a trabalhar com um pesquisador russo para criar arquivos de antecedentes para a Natasha. “Essa foi a primeira vez que isso foi feito em dez anos,” ela continua. “E eu lembro da Scarlett chegar para mim e dizer, ‘Meu deus, eu realmente sou russa’. E isso foi muito bom.”

Preencher a história de Natasha ajudou a fundamentar a personagem para Johansson como nunca antes, e deu aos roteiristas material novo para mergulhar. A partir daí, um período de tempo foi escolhido: após Capitão América: Guerra Civil, mas antes de Vingadores: Guerra Infinita. “Aquele momento específico [na vida de Natasha] nos deu a oportunidade de explorar a personagem em um período que ela não pertence a ninguém: ela não tem família, ela não está trabalhando para nenhuma organização,” diz Johansson, que também é produtora do filme e ajudou muito no desenvolvimento. “Ela está realmente sozinha, e tudo está quieto. É desse período quieto que ela esteve fugindo por praticamente toda a sua vida, e agora ela tem a oportunidade de ser auto-reflexiva. E é quando tudo isso aparece.”

Por debaixo da pele

Cair de cabeça na história de Natasha não foi fácil. Na verdade, Johansson admite (com uma risada, que poderia ser simplesmente um mecanismo de defesa contra uma memória traumática) que todo o processo de roteirizar foi “extremamente estressante” por que havia muito a ser explorado no passado da personagem. “Nós chegamos a um grande momento que era super existencial e muito poético,” diz Johansson. “Todas aquelas notas em Post-it foram arrancadas”.

A história logo se transformou em algo que poucas pessoas, incluindo o time criativo, esperavam – um drama familiar. Entretanto, não foi Shortland que surgiu com essa ideia para Natasha, mas sim o produtor principal da Marvel, Kevin Feige.

“[Essa decisão] foi enigmática para mim,” diz Shortland. “E então eu percebi, no final, que Kevin e eu tínhamos visões similares. O que eu realmente queria fazer era expor a personagem e entrar sob sua pele. A família criou uma dinâmica com a qual isso poderia acontecer. Nós vemos um lado diferente da personagem, porque ela está em cenas com pessoas que a conhece desde que ela era criança. Ela não é uma super heroína nessas cenas: ela é uma filha ou uma irmã.”

Esses momentos de família são, julgando pelos trailers, divertidos e sérios. Florence Pugh interpreta Yelena Belova, uma figura de irmã mais nova e também uma Viúva Negra. Semelhantemente, a Melina Vostokoff de Rachel Weisz passou pelo mesmo treinamento torturante. E temos o  paternal Alexei Shostakov de David Harbour, mais conhecido como Guardião Vermelho – a versão menos bem sucedida do Capitão América da Rússia. A princípio, os três personagens são antagonistas de Natasha: ela os abandonou para lutar com os Vingadores na América. Mas após os eventos de Guerra Civil, ela está de volta com eles – e é complicado, para dizer o  mínimo.

“As relações que Natasha tem com outros personagens nesse filme são muito mais complexas do que quaisquer outras relações que você já tenha visto,” diz Johansson. “É uma coisa complicada. é como uma maquiagem. É seu calcanhar de Aquiles. Essas pessoas sabem quais botões apertar, porque foram eles que os instalaram. Há muita expectativa e frustração. Essas pessoas passaram por muitos traumas e perdas.

“Natasha tem medo de ser amada,” Shortland adiciona. “Ela é revestida de Teflon, e é uma personagem fetichizada. Então você não vê com muita frequência, a profundidade dela. O que nós queremos ver é ela se perdoando e permitindo as pessoas se aproximarem. Eu acho que isso é muito bonito porque permite que o público a veja de uma forma diferente.

O que eu queria ter certeza é de conectá-la ao universo,” a diretora continua. “Eu não estou falando do Universo da Marvel, mas de um universo maior, para que o público sinta que ela estava conectada ao mundo espiritual e ela não era só uma mulher com roupa de couro quebrando tudo, e que ela era uma criatura vulnerável, bruta, brava e ilógica que foi machucada quando era criança. Como você entende o significado disso como adulto? E como você perdoa aqueles à sua volta que lhe causaram esse trauma?”

Vendo o vermelho

Isso tudo soa, em comparação com o estilo do MCU de filmes alegres que agradam a platéia, um pouco pesado. Você poderia ser perdoado por esquecer que Viúva Negra se  passa no mesmo universo cinematográfico que Homem Formiga, Guardiões da Galáxia e Doutor Estranho. A diferença gritante entre esse filme e outros filmes da Marvel se torna ainda mais evidente quando conversamos com Weisz e Pugh sobre o período de suas personagens na infernal Sala Vermelha, o centro de treinamento para novas Viúvas.

“É um trinamento muito disciplinado onde há muito abuso e tortura psicológica, física e emocional,” diz Weisz. “Esse filme é sobre o abuso contra mulheres. É sobre como elas são esterilizadas contra sua vontade com oito anos de idade. É sobre garotas que foram roubadas de todas as partes do mundo. É muito doloroso, e é muito importante.

Parte do entusiasmo para mim é que mulheres e meninas do mundo todo vão ver isso, e vão ver uma história de abuso que foi realmente desafiada pelas vítimas. Para um filme da Marvel alcançar todos esses níveis, é muito animador. A melhor coisa sobre esse filme é que, não é colorido em tons de cinza. Você vai ver essas mulheres persistirem e serem fortes, e elas são assassinas –  e ainda assim elas precisam discutir sobre como foram abusadas. É incrivelmente poderoso.”

Para Shortland, a história de Natasha naturalmente inclina-se para assuntos mais sérios devido à própria natureza da personagem em comparação aos outros Vingadores. “Ela é a única personagem que realmente não tem super poderes,” ela diz. “Nós vemos isso como uma força, por que ela sempre tem que se esforçar muito para sair de situações de merda. E nós colocamos ela em várias situações difíceis. Eu pensei em mulheres sendo atacadas andando para a estação de metrô, e o que acontece.

Natasha é como Clarice, de O Silêncio dos Inocentes. Isso é ótimo, porque quando ela segura sua arma, ela treme. Mas é realmente durona por dentro, e resiliente. E eu quis trazer isso para a personagem. Então você não está vendo ela apenas se livrar de situações sabendo que ela vai se dar bem. Você quer ver sua determinação e força. E é o que nós conseguimos.”

Johansson considera Viúva Negra “um filme muito diferente para a Marvel, enquanto ainda tem todas aquelas coisas da Marvel que as pessoas esperam e amam.” Há o lado aspiracional e uma grande aventura. “Mas também há esse outro sabor que nós nunca experimentamos. É muito diferente de Vingadores. É legal ver um lado diferente, como Thor: Ragnarok e Pantera Negra foram. Há esse outro sentimento sobre isso. E parte disso é porque foi dirigido pela Cate- é um filme da Cate Shortland, mas revestido com o Universo Marvel.”

Shortland será a primeira mulher a dirigir Johansson como Natasha, o que soa quase criminoso considerando que ela interpretou a personagem em outros sete filmes, não incluindo a cena pós créditos de Capitã Marvel.

“A perspectiva dela é completamente diferente. Ela entende a Natasha em um nível visceral. Colocando seu crédito artístico como cineasta de lado – somente sua perspectiva feminina é um grande fator para o resultado final. Em alguns momentos assistindo, não somente parece como um filme da Cate Shortland, mas você consegue sentir que foi feito sob o ponto de vista de uma mulher. Está naturalmente ali.”

Weisz concorda. “Ela realmente enxerga as mulheres, e todo o seu comportamento, sua complexidade. As mulheres são sexy e fortes, mas de alguma forma não são. Elas são o assunto, não o objeto. Elas se sentem no controle de suas próprias histórias, mesmo que elas pareçam loucamente sexy –  Eu estou falando da Florence e da Scarlett, é claro”

A própria Shortland sente que Viúva Negra é uma expressão de si mesma, mais do que apenas outra parte pequena no sempre crescente universo da Marvel. O estúdio permitiu que ela contasse a história com nuances e focada nos personagens que ela queria. “Kevin me disse logo no começo ‘Nós queremos que você traga a sua infância, a sua história, e o que você acredita, e o que você ainda está testando,” ela diz.

Mantendo na família

Não dá para dizer que Viúva Negra não faz as coisas que você espera de um filme da Marvel. “É também muito divertido” diz Johansson, o que é esperado, e esse humor vem principalmente do Guardião Vermelho, o personagem de Harbour que o ator compara ao David Brent de The Office. “Eu sempre pensei no Alexei como não estritamente cômico, mas mais como um caminho para um estranho filme indie de cidade pequena, focado em uma família,” diz Harbour, parecendo que acordou agora: a estrela de Stranger Things e Hellboy está usando um roupão enquanto fala com a Total Film pelo Zoom.

“Há muita diversão nesses filmes da Marvel: você vai ver essas coisas grandes e más nessa grande aventura de ação. Mas no meio disso, há muita personalidade e muito humor. E é o que eu achei tão interessante sobre o roteiro. Eu pensei que estava indo em uma direção com o Alexei, onde ele é esse cara durão e brutal. Mas também, por debaixo disso, há toda essa doçura e estranheza, e todas essas qualidades de pai nele. Ele quer ser querido. Ele tem essas necessidades emocionais que são engraçadas de ver em um cara como ele, um super soldado.”

Outro personagem que vai fazer uma aparição em Viúva Negra é Rick Mason, interpretado por O-T Fagbenle. Nós ainda não vimos Mason nos trailers, o que levou muitos fãs a suspeitarem que ele poderia ser o vilão mascarado Taskmaster, que tomou o controle da Sala Vermelha e cuja identidade ainda não foi revelada.

“Eu interpreto um contratante privativo,” diz Fagbenle. “Ele tem contatos no submundo criminoso. Ele pode trabalhar com organizações militares tanto quanto pode trabalhar para organizações criminosas. Ele é tipo um agente amoral nesse sentido.” Sem surpresas, quando pressionado pela TF, ele não pôde comentar mais. “Ele é um personagem divertido, e ele tem uma dinâmica muito boa com a Viúva Negra,” ele ri. “Boom! Spoiler! Splash!”

Apesar de ter humor e ação, Viúva Negra ainda depende fortemente dos eventos do MCU. Primeiramente, Shortland assegura que o filme vai honrar a morte de Natasha em Vingadores: Ultimato e Johansson diz que oferece “significado” para os fãs da personagem. E tem o fato de que Viúva Negra inicia a Fase 4 da Marvel, o que está de desacordo com o começo de outras fases e que focaram principalmente em construir histórias futuras ao invés de resolver histórias antigas. A chave, parece, estar na personagem Yelena de Pugh.

Próxima geração

“É uma história de origem, mas também vai para o futuro,” diz Shortland. “Você tem aquela sensação de que Yelena vai ser diferente, ela não vai ser uma super heroína clássica. O que é bom na Florence é que ela não está interessada em ser um fetiche. Ela está nervosa sobre o que tem acontecido com as mulheres. Ela está nervosa com as injustiças sobre como as mulheres devem parecer ou agir. O que é divertido na personagem e que ela explora isso na tela. Então você tem essa personagem que é realmente irreverente, e que também questiona toda essa coisa de super herói.”

Com Johansson saindo de cena como a Viúva Negra, certamente pareceria que Pugh vai estar no holofote em filmes futuros da Marvel. “Eu definitivamente senti assim no começo,” Johansson diz quando perguntada sobre dar o nome da Viúva Negra para sangue novo. “Ela é completamente independente, Ela é forte e diferente. Ela é muito diferente da Natasha.”

“Você também vai ver a diferença entre gerações, como elas reagem às coisas, e com o que elas se importam, ou o que não se importam,” ela continua. “Parece tão novo, o que ela faz. É muito representativo, também, de como ela é como pessoa. Ela não tem remorsos, e é confiante em si mesma, e curiosa, corajosa e emocionalmente corajosa – muito mais do que eu era. E tudo isso vem à tona. É maravilhoso sentir que você está testemunhando algo grande acontecendo.”

Pugh, como você esperaria, está lisonjeada com as palavras de Johansson, entretanto, ela insiste que, enquanto todo mundo está se perguntando o que vem em seguida para sua personagem, Viúva Negra nunca parece que está tentando empurrar Yelena para você. “Esse filme realmente parecia que era o momento de Natasha redescobrir seu passado, e abordar sua dor,” ela diz. “Minha personagem meio que deu a ela essa oportunidade. E mesmo que todo mundo esteja desesperado para descobrir o que vem aí, mesmo depois de assistir, não é o que você fica pensando. Você finalmente sente que para todas essas pessoas, especialmente ela, e como ela é do jeito que ela é. Então, é muito divertido. Eu realmente me senti bem em fazer parte disso. Eu não estava realmente pensando sobre o que ia acontecer depois.”

É claro, Pugh não vai sair dessa tão fácil, e a TF pergunta: há mais Yelena em seu futuro? “Se você é chamado para estar em um filme da Marvel e é muito eletrizante e emocionante de estar lá, então é claro que a sua cabeça pensa: ‘oh, meu deus. Se isso foi assim, o que mais vem por aí?” ela responde. “Se isso acontecer e eu for sortuda que as pessoas gostem da minha personagem, é um caminho animador de continuar. Eu seria tola se não estivesse animada por isso. Eu acho que fazer parte do clube da Marvel é uma grande honra. Mas vamos ver se as pessoas vão gostar da Yelena primeiro.”

Adeus garota

Apesar do nome ser aplicado a muitas personagens, a Viúva Negra, por legiões de fãs, ainda significa um: Natasha. Essa será sua história final, com Johansson se preparando para dizer ‘proshchay’ (‘adeus’ em russo) ao universo cinematográfico que ela fez parte durante uma década.

“É definitivamente triste e feliz porque eu amo a minha família da Marvel”, ela diz. “Eu nunca vou estar  preparada para não fazer parte disso. Eles sempre serão a minha família. Eu nunca me senti pronta para não estar nisso, porque eu odeio sentir que eu estou perdendo algo com eles. E quem sabe? Talvez em algum momento, nós vamos ter a oportunidade de colaborar de outra forma.

É certamente incrível poder produzir isso com eles, porque eu pude realmente conhecer o processo, e conhcer eles de uma forma intíma compeltamente diferente. Foi muito emocionante. E ao mesmo tempo, eu realmente me sinto bem em seguir em frente. Eu me sinto incrivelmente orgulhosa desse filme. é muito forte. E ficou muito bonito. Há muito amor nele. Tudo tem intenção e propósito. E, você sabe, Eu sempre vou amar a Natasha. Eu amei interpretar ela, e eu acho que ela se sobressai nesse universo  de uma forma que eu acho boa. E ás vezes, você sabe, quanto mais…”

Ela pausa por um momento. “De todas as formas, e certamente como ator, é sempre bom sair de uma situação quando você está no topo. E se sentir bem sobre algo. É ótimo. E eu me sinto no topo com isso, eu realmente sinto. Eu estou muito orgulhosa disso. Então n´s vamos ver como todo mundo enxerga isso!” ela ri. “Mas eu sempre vou amar minha experiência com isso.” Se ela voltar ou não, Johansson finalmente teve a oportunidade de completar o ciclo e alcançar o potencial que sua personagem prometeu desde sua estreia na tela há 10 anos: e ela esperançosamente vai limpar um pouco do vermelho em sua conta.

A entrevista foi retirada da nova edição da Total Film

A edição de outubro da revista inglesa Empire foi lançada e conta com uma entrevista da Scarlett Johansson e da Florence Pugh sobre Viúva Negra, o mais novo filme da Marvel que conta a história de Natasha Romanoff e será lançado no Brasil no próximo mês (28). Confira a entrevista traduzida:

O há muito esperado filme “Viúva Negra” prevê Scarlett Johansson dizendo adeus ao UCM, e Florence Pugh entrando com tudo. Nós as reunimos para falar de mentoria, ser radical e chutes na bunda.

Existe uma chance muito real de que Viúva Negra da Cate Shortland seja a saída final da Scarlett Johansson do Universo Cinematográfico da Marvel como o personagem título, a espiã astuta/exército de uma mulher, Natasha Romanoff. O que seria uma grande pena. Porque, enquanto é a oitava viagem de Johansson no carrossel UCM desde que ela apareceu pela primeira vez em Homem de Ferro 2 de 2010, é o primeiro da Florence Pugh, como a ex-companheira quando espiã soviética da Natasha, antagonista e um tipo de irmãs, Yelena Belova, em um filme de origem aparentemente designada para lhe conceder o manto de Viúva Negra — agora que a própria Natasha está morta, aparentemente para sempre, em um planeta alienígena. E se a química fácil, engraçada e faiscante que as atrizes britânica e estadunidense exibiram em uma call com a Empire no começo desse verão se traduz nas telonas, a Marvel deveria estar tentando reunir elas em toda oportunidade. Filmes de origem, spin-offs, sitcoms, o que quer que funcione. Ainda, como alguém disse, o futuro ainda não está definido, e durante a entrevista conjunta da Empire, Johansson e Pugh falaram sobre o presente, o passado e o caminho que levou a Marvel a fazer um filme estrelado e dirigido por mulheres que quer abrir novos caminhos.


Quando foi a última vez que vocês duas se viram em carne e osso?

Scarlett Johansson: Eu te vi no Oscar.
Florence Pugh: Mas a gente fez umas regravações dois ou três dias depois disso, lembra, amor?
Johansson: Oh, é verdade. Nós duas estávamos doentes.
Pugh: A gente se viu bastante durante a temporada de premiações, o que foi tão legal porque nós tínhamos acabado de fazer um filme juntas. E então eu vou e cutuco a Scarlett Johansson nos tapetes vermelhos e fico tipo, “Tudo bem, eu conheço ela.”. Mas sim, é muito estranho não estar com ela. Nós começamos um pouco mais que um ano atrás, amor. Foi em maio [2019] que nós estávamos treinando juntas.
Johansson: Antes de você e eu começarmos a trabalhar naquilo juntas, eu tive um ano ou dois do desenvolvimento das coisas. Faz tanto tempo. Faz quase três anos, na verdade. Eu pensei nisso outro dia. “Quando foi que eu comecei essa conversa com significância?”, eu lembro que quando estávamos gravando Guerra Infinita, eu comecei a falar com o Kevin [Feige] sobre isso como uma possibilidade de verdade, real. Isso foi há tanto tempo. Faz uma eternidade.

Vocês se conheceram pela primeira vez um ano atrás, presumivelmente uma dando porrada na outra?

Pugh: Literalmente. Eu nunca tinha feito nenhum filme desses antes, então eu estava muito ansiosa para entrar e começar a aprender como ficar gorduchinha, porque eu não sabia exatamente o quanto era esperado de alguém ao entrar nesses filmes. A coisa mais engraçada foi que nós começamos a fazer alguns ensaios de cenas, os quais eram amáveis, mas na primeira semana de filmagem, a Scarlett e eu tivemos uma das maiores cenas de briga das nossas personagens, onde elas se veem pela primeira vez em anos. E foi a primeira vez que nos conhecemos, então nós fazíamos os ensaios, e eu ficava tipo, “Okay, eu te enforco agora mesmo e então você me joga na parede.”.
Johansson: É um exercício de confiança muito agressivo. Sendo ator, você geralmente recorre à pessoa ou vocês se encaram e dizem a mesma palavra por, tipo, 20 minutos. Foi tipo isso, mas um enforcamente, basicamente. Apesar que eu deva dizer que foi efetivo. Só sendo ator para alguém ter a oportunidade de fazer algo assim. É insano. É engraçado. É um trabalho tão engraçado e estranho onde você pode conhecer alguém pela primeira vez em um ensaio de uma peça e um dia e meio depois vocês estão gritando e soluçando um com o outro e segurando um ao outro e tem catarro pingando do seu rosto, e você expôs toda a sua fragilidade do seu eu criança .
Pugh: A coisa mais legal disso é que quando você encontra alguém que é tão interessado sobre algo quanto você. Isso faz a experiência um pouco mais agradável. Nem todo mundo gosta de ser jogado no chão o tempo todo, mas a Scarlett e eu amamos.

Scarlett, você deve estar batendo nas pessoas segundos depois de conhecê-las há um tempo.
Johansson: Sim. É estranho falar isso, mas eu já estou acostumada. Apesar disso, é muito engraçado. Faz uma década e eu sei onde a minha energia é melhor usada. Eu sei que eu provavelmente não vou alcançar um nível profissional de Muay Thai em quatro meses. E então gastar minha energia treinando com um atleta profissional é uma perda do meu tempo. Eu sei que o mais importante é que eu seja capaz e pareça capaz e ter esse tipo de confiança no quer que seja que eu esteja fazendo. Mas não foi sempre desse jeito. Eu fiquei realmente me preocupando em vários filmes sobre coisas que nunca foram usadas, ou preparando uma sequência de luta de seis minutos e então mostrar para o diretor no dia e ele fica tipo, “Eu acho que só precisamos de 15 segundos disso.” E você fica tipo, “Quêêê?
Eu gastei aquele tempo todo!”. Então eu acho que estou mais eficiente agora.
Pugh: Quando a gente estava fazendo aquela primeira luta eu fiquei realmente preocupada sobre eu ter que rolar, e eu tive, e eu estava basicamente tentando mergulhar no ar enquanto cortava as pernas dela e então rolar. Para uma pessoa normal isso é quase impossível. E eu lembro de me preocupar com isso: “Eu não sei se vou conseguir rolar.”. Scarlett ficou tipo, “Amor, tem uma razão para você ter alguém que se parece exatamente com você ali no canto. Ela é uma atleta e ela sabe fazer isso e vai ficar ótimo.”

Tem as coisas que vocês não precisam de dublês para fazer: a coisa da atuação. Vocês podem falar sobre isso, e trabalhar nesse relacionamento entre duas personagens que se tornaram quase irmãs, mas com uma beira nisso?
Pugh: Foi uma alegria total. Mas também, eu realmente entrei em uma história que eu não fazia parte e precisava aprender sobre. Eu sei um pouco por assistir os filmes anteriores, mas foi realmente maravilhoso ter trabalhando comigo a mulher que não só era a rainha dessa terra, mas ela sabia tudo. Foi ótimo entrar e desenvolver esse relacionamento complicado, onde existe tanto amor uma pela outra e também tanta dor atrás desse amor que precisa de um filme inteiro para elas realmente se abrirem uma para a outra.
Johansson: Em muitas maneiras, a pressão não estava realmente em mim. Eu tinha a confiança na Cate [Shortland], nossa diretora, para nos direcionar como um grupo de atores, para nos guiar e achar mais profundidade em algo, ou um calor em algo, ou sombras diferentes. E então pareceu um filme pequeno dentro de um filme grande, eu acho. Quando você assiste, também parece isso. Ele tem uma intimidade nele. Esses relacionamentos são discutivelmente um dos mais complicados com os quais a Marvel já lidou. Eles são problemas profundos e bagunçados de família. Nós conseguimos fazer algumas coisas recompensantes dramaticamente, que é o motivo da gente ir trabalhar.


O filme é um filme de origem. Existe um grande motivo para isso, que é que a Natasha está morta no UCM. O que foi um grande choque — Florence, eu presumo que você já tenha visto Ultimato?
Pugh: [ri] Eu já assisti, não se preocupe.
Johansson: Alerta de spoiler!


Scarlett, você disse que teve conversas com o Kevin sobre esse filme enquanto filmava Guerra Infinita. Em que ponto você teve aquela conversa sobre a Natasha morrer em Ultimato?
Johansson: Normalmente, antes de começarmos qualquer capítulo seguinte, era normal que Kevin chamasse o elenco antes que um roteiro chegasse e dissesse: “É aqui que a gente está”. É engraçado — porque, tendo produzido isso, eu vejo qual é o processo da parte de desenvolvimento da narrativa. Foi antes de gravar Guerra Infinita que eu fiquei sabendo o que iria acontecer em Ultimato. Kevin me ligou e disse: “Olha, obviamente estamos em um momento onde haverá grandes sacrifícios e grandes perdas.” Todos nós tínhamos previsto isso. Portanto, não parecia estranho. Acho que fez sentido para mim, embora eu estivesse triste com isso. Mas depois que desliguei o telefone, lembro que pensei: “Ok, acho que sou eu.” E demorei um minuto para processar aquilo. Foi agridoce, mas não foi um choque.


Mas você sabia que estava nesse projeto, também?
Johansson: Eu não tinha tido essa conversa ainda. Presumi que Guerra Infinita e o que viria a ser Ultimato seria tudo. Foi só quando estávamos filmando Guerra Infinita que começamos a ter aquela conversa sobre o que era. Quando eles disseram: “Queremos falar sobre a Viúva Negra”, eu fiquei tipo, “O que é? Como isso vai funcionar? ” Nunca tive a intenção de fazer uma história de origem, obviamente. Eu não queria interpretar uma versão de mim mesma aos 17 anos. Então, eu não tinha ideia de como isso funcionaria exatamente, se havia uma Pedra do Tempo envolvida ou o quê.

Florence, você tem assistido ansiosamente ao UCM e a progressão da Scarlett como a Natasha ao longo da última década?
Pugh: Eu não era fanática. Sem ofensa, Scarlett. Não sei todas as informações sobre todos os personagens, mas me lembro de assisti-los na minha adolescência. Eu definitivamente estava atualizada. Tanto que fiquei muito triste — eu me lembro dos primeiros vazamentos da morte de Natasha e lembro que foi muito injusto porque ela era uma mulher tão legal. Lembro de ficar chocada. Mas é engraçado ter trabalhado no filme pelo qual as pessoas vêm torcendo por anos, e trabalhar ao lado da e assistir à Viúva Negra.
Johansson: Florence diz tudo isso, mas ela tem muita integridade e a personagem dela tem muita integridade. Ela realmente é independente. A personagem é tão cheia de vida e tão baseada em si mesma. Todas são qualidades que Florence tem de sobra. É realmente novo. É uma performance tão nova e emocionante de assistir.

Ambos entraram no MCU em pontos muito diferentes. Scarlett, ainda era um grande risco quando você fez o Homem de Ferro 2, e ao longo dos anos sua contribuição os ajudou a chegar ao ponto em que um filme como este não é mais um risco. E, francamente, o UCM foi um grande festival de salsicha por anos…
Johansson: Um festival de salsicha? [ri]

Sim! E agora é muito mais representativo e muito mais diversificado. Portanto, as coisas mudaram dessa forma.
Johansson: Sim, graças a Deus. Estamos evoluindo com o tempo. O que posso dizer é que, falando especificamente sobre este filme — porque é impossível abranger toda o Universo da Marvel e como ele é muito maior do que jamais poderíamos ter imaginado que fosse — tem tanta coisa acontecendo. Está além da compreensão. Quando comecei há dez anos, não olhei para um roteiro. Eu não sabia o que seria. Eu estava colocando toda minha fé no [diretor do Homem de Ferro 2] Jon Favreau. Mas nenhum de nós desde o início poderia ter imaginado que estaríamos aqui, falando sobre esse tipo de coisa. Acho que este filme em particular reflete muito o que está acontecendo em relação ao movimento Time’s Up e o movimento #MeToo. Seria uma grande pisada na bola se não abordássemos essas coisas, se este filme não enfrentasse isso. Acho, principalmente para Cate, que foi muito importante para ela fazer um filme sobre mulheres que estão ajudando outras mulheres, que tiram outras mulheres de uma situação muito difícil. Alguém me perguntou se Natasha era feminista. Claro que ela é, é óbvio. É uma pergunta meio estúpida.

Eu vou tirar isso da minha lista.
Johansson: [ri] Mas este filme, esperançosamente, não apenas vai elevar o gênero, mas vai impulsionar o limite para a Marvel mais uma vez e empurrar ela para fora de sua zona de conforto de uma maneira totalmente diferente. É uma oportunidade realmente única fazer um filme desta escala que tem uma mensagem muito comovente, profunda e poderosa por trás dele. Acho que conseguimos isso.
Pugh: Sim. E você consegue isso nos primeiros dez minutos do filme. Você já terá sido atingido por coisas incríveis que não estariam em um filme, qualquer filme, mesmo apenas cinco anos atrás. Isso foi muito legal de assistir.

Isso é interessante. Como Pantera Negra, esse teria sido um filme muito diferente dez anos atrás.
Johansson: Eu tenho certeza que um filme da Viúva Negra poderia ter sido feito dez anos atrás, mas não teria sido esse filme, com certeza. Teria sido alguma outra coisa que provavelmente teria ficado ótima. [ri]

E agora está feito
Pugh: É incrível. Eu tenho que dizer: eu assisti um corte, eu estava sentada no sofá e toda vezinha que acontecia alguma coisa com ação, eu ficava tipo, “Vamos, Natasha! Vai! Vai!”. Eu estava tão animada para estar gritando com a minha própria televisão.

Você faz isso em todos os filmes da Scarlett? Em História de Um Casamento? “Vai, Scarlett, vai!”
Johansson: Ah, é claro. Ela faz isso em todos eles. Ela amou a cena do divórcio no tribunal. Ela estava torcendo por mim.
Pugh: Eu estou sempre torcendo pelos personagens dela.
“Pede o divórcio!”

Viúva Negra nos cinemas do Brasil em 28 de outubro.

Scarlett foi entrevistada pela revista sul-africana Essentials para a edição de Junho deste ano. Confira a tradução:

Scarlett Johansson, atriz vencedora de prêmios, fala sobre interpretar personagens femininas complexas, criar sua filha e co-parentalidade depois de um divórcio.

A atriz Scarlett Johansson, 35, tem tido um ano e tanto, ser nomeada para dois prêmios da Academia por seus papeis em História de Um Casamento e Jojo Rabbit. Agora ela está de volta nas telonas reprisando seu papel como a Viúva Negra, personagem da Marvel, no filme independente da famosa heroína.

A atriz ficou conhecida como uma atriz mirim quando tinha apenas 13 anos. Um de seus primeiros papeis foi como Grace MacLean em O Encantador de Cavalos – um drama dirigido por Robert Redford. Uma gêmea, e a segunda mais jovem de cinco irmãos, Scarlett cresceu em Nova Iorque com sua pai dinamarquês e arquiteto e sua mãe, Melanie, que tornou-se a empresária de Scarlett logo cedo na carreira da atriz.

Scarlett vive em Nova Iorque com seu noivo, o comediante Colin Jost, e sua filha de cinco anos, Rose, fruto de seu casamento anterior com Romain Dauriac.

Eu me separei do meu ex-marido quando minha filha era muito pequena. Se a Rose um dia me perguntar por que não estou mais com o pai dela, eu vou dizer: ‘Nós estamos melhores como amigos. Quando a gente era um casal, não era tão legal e a gente brigava. Agora, nós somos amigos.’

Nós nos comunicamos melhor e ainda podemos amar nossa filha separadamente. Eu quero que minha filha saiba que o nosso divórcio não muda como nos sentimos sobre ela.

Eu cresci sabendo que eu queria ser uma atriz e ser parte daquele mundo. Eu sempre tive uma grande imaginação e amava assistir a filmes. O que é engraçado é que, quando criança, todo mundo achava que eu tinha uma voz estranha que era profunda e rouca demais para alguém da minha idade. As pessoas achavam que eu estava resfriada. Mas acabou que isso virou uma vantagem para quando eu comecei a fazer audições para filmes – a maioria dos agentes de elenco amava minha voz.

Eu não tenho certeza se a minha filha realmente entende o que eu faço da vida. Filme ainda é um conceito um pouco abstrato para ela. Quando eu fiz a voz da Kaa em Mogli, eu pensei que seria um pouco demais para ela assimilar – a voz da mamãe saindo de uma cobra. A maior parte do tempo, eu quero mostrar a ela que a mãe dela é uma mulher independente que trabalha duro em um trabalho que ela ama. Eu acho que isso é importante.

Sim, eu sei dar alguns socos. Mas eu não gostaria de ser etiquetada como ‘‘estrela de filmes de ação’’. Em termos de treinamento de cenas de lutas e com armas, eu sou tipo uma veterana. E eu amo essas cenas – você sai completamente energizada e acelerada. Eu me considero um pouco fodona mas, se alguém realmente fosse me abordar no meio da rua para brigar, eu provavelmente esqueceria de tudo que aprendi e correria.

A desigualdade de gênero continua sendo uma força motora na nossa sociedade. Eu participei de diversas marchas por igualdade e direitos iguais, porque é algo pelo qual nós devemos continuar a lutar. Nós precisamos apoiar umas as outras, apoiar mulheres e lutar a boa luta. Eu continuarei fazendo isso o quanto eu puder. Eu sempre darei meu apoio.

Eu não percebi quando completei 30 anos. Eu estava ansiosa para isso mas, quando aconteceu, passou como um borrão. Tantas outras coisas estavam acontecendo que eu meio que perdi isso. Mas, eu me sinto, sim, diferente de quando eu estava na casa dos 20. Não tem como negar isso.

Eu não quero ser mais a ingênua – e francamente, eu não acho que eu consigo me livrar disso. Eu mal posso esperar para interpretar mulheres, não jovens mulheres ou meninas. Mas mulheres, mulheres reais. Eu acho que há mais oportunidade de aprender sobre você nesse campo do que em outro.

Um dos meus sonhos é ter uma vinha em algum lugar. Sabe, com uma fazenda orgânica onde nós podemos comer comida ‘‘fresca-da-fazenda’’ e tal. É meio que um desejo bem piegas, mas eu acho que amaria.

Eu amo animais – em alguns dias, mais que pessoas. Eu tenho um chihuahua e ela é completamente parte da família. Ao crescer, nós sempre tivemos pets em casa. A única coisa é, eu não gosto muito de pássaros. Eu olho para eles, mas não consigo segura-los. São as asas batendo, eu acho.

Meu senso fashion é bem racional. Eu gosto de roupas que são bem feitas e irão durar por um bom tempo. Eu não diria que eu aprendi qualquer coisa sobre moda desde que entrei na indústria cinematográfica – eu gosto de roupas e de revistas de moda, mas eu não sou a das tendências.

Fazer um álbum de música foi fantástico. Eu gravei um lá em 2007 e eu amaria fazer de novo. A experiência foi incrível; não só viver com a música que eu amo todo dia, mas também trabalhar com músicos tão maravilhosos. Nós tivemos toda uma pequena comuna criativa. Eu também amaria dirigir algum dia – eu quero dirigir desde que eu era pequena. Eu lembro de fazer O Encantador de Cavalos, olhar para Robert Redford e pensar: ‘Eu quero trabalho daquele cara.’

Veja Scarlett Johansson em Viúva Negra, nos cinemas em breve; e em Marriage Story, disponível para stream na Netflix.

Não muito longe de sua casa em Nova Iorque, num dia ensolarado no começo de Março, Scarlett Johansson chega para seu photoshoot da Paradedepois de deixar sua filha de cinco anos, Rose, na escola. (Essa entrevista e o photoshoot ocorreram antes da quarentena do novo Corona Vírus.) Um pouco mais tarde, ela pegará Rose e voltará para seu apartamento que ela também compartilha com seu noivo, co-escritor do Saturday Night Live e co-âncora do Weekend Update, Colin Jost.

Ah, é basicamente um dia da semana qualquer (quando esses dias eram possíveis, há apenas seis semanas atrás), apesar de “qualquer” é relativo quando você é uma aclamada, mundialmente renomada atriz, e seu novo filme Viúva Negra, está se moldando para ser um hit.

De fato, com todo respeito a um de seus heróis do Baseball – do seu amado New York Yankees, o superstar Derek Jeter – Johansson é a que está entregando grandes hits hoje em dia. Aos 35, a antiga atriz mirim é a mulher mais bem paga das bilheterias no mundo, tendo trazido mais de 14 bilhões de dólares em ingressos. Ela se provou mestre em comédia (Sing – Quem Canta Seus Males Espanta), ação (Lucy) e dramas dignos de prêmios (sua impressionante dupla indicação ao Oscar de 2019 com História de um Casamento Jojo Rabbit). E ela fez tudo isso enquanto ganhava uma legião de fãs como a antiga agente russa da KGB que virou Vingadora, a Viúva Negra em sete filmes da Marvel. Com Viúva Negra, ela finalmente pode estrelar seu próprio filme.

Nascida em Nova Iorque

Crescendo no agitado e boêmio bairro de Manhattan, Greenwich Village com três irmãos (incluindo um irmão gêmeo, Hunter), Johansson foi exposta à cultura e ao ativismo já quando jovem, pela sua mãe, Melanie, uma dona de casa com ancestralidade judia da Europa Central, e seu pai, Karsten, um arquiteto nascido na Dinamarca. “Eu estava muito atenta a respeito da importância de ser um membro ativo da sociedade e ser politicamente ativa e socialmente consciente,” ela se lembra, adicionando que sua avó fazia parte de “todas as associações de inquilinos e bairros. Eu costumava ir com ela para essas reuniões.” Hunter, ela diz, começou uma organização que fornece painéis solares para estações de primeiros socorros.

Johansson diz com uma ponta de melancolia que sua mãe, pai e irmãos há muito tempo se mudaram do apartamento que uma vez guardou tantas memórias, sonhos e esperanças. “É a casa de infância de outra pessoa agora,” ela diz. Mas ela deixa claro para Rose qual é a casa toda vez que elas passam em frente. “Um dos maiores privilégios de criar seus filhos onde você cresceu é que você pode fazer coisas e ver coisas que você fez quando era criança.” 

Quando não existe a quarentena, as duas fazem de tudo juntas, desde visitar o zoológico do Bronxaté ir para os parquinhos no Central Park e ver as Rockettes no Radio City Music Hall. (O pai de Rose é o ex-marido de Johansson, executivo de marketing francês Romain Dauriac.)

Febre Yankee

A paixão acionada quando jovem e que dura até hoje. Era um problema que sua família não seguia o mesmo time? Nem um pouco. A jovem Scarlett Johansson era determinada a viver o sonho de… ser uma fã do New York Yankees.

“Eles estavam arrasando quando eu estava no Ensino Médio,” a atriz diz sobre os campeões do World Series de 1998 até 2000. “Eles tinham esse time incrível só com estrelas.” 

Então, enquanto seus avós, pais e irmãos eram loucos pela rival New York Mets, Johansson e seu então namorado regularmente iam para jogos dos Yankees no Bronx, onde ela torcia pelo seu jogador favorito, Derek Jeter. “Eu o amava,” ela se lembra. “Eu mantinha a carta dele na minha carteira!”

Infelizmente, o noivo de Johansson tem uma obsessão hard-core com, pasmem, o New York Mets. “É um assunto sombrio,” ela diz, chacoalhando a cabeça. “Ele só me disse que preferia ver o [Boston] Red Sox vencer que o Yankees. Tipo, QUÊ?! Eu disse que eu ia apenas ignorar isso.”

A Louca da Atuação

Enquanto criança, Johansson amava ver filmes antigos de Hollywood, incluindo os clássicos da Judy Garland, musicais de Rodgers e Hammerstein e fantasias da Disney, como Operação Cupido de 1961 (que, aliás, ela acabou de mostrar para sua filha pela primeira vez). “Eu sumia nesses filmes e me tornava esses personagens,” ela diz. Sua mãe a inscreveu para audições para comerciais que nunca foram ao ar. Ah, claro, ela foi escalada para Esqueceram de Mim 3 em 1997 e para O Encantador de Cavaloscom Robert Redford, em 1998, mas nenhum dos dois foi de grande importância para alavancar sua carreira artística. “Desde muito criança, eu fui constantemente rejeitada,” ela diz. “Quando as pessoas começam a me pedir conselhos, eu sempre digo para ficar de mente aberta, porque nunca se sabe.”

A determinada adolescente agarrou papeis em três filmes de 2001 (incluindo o bem recebido GhostWorld – Aprendendo a Viver), tudo enquanto freqüentava a escola de Crianças Profissionais e cuidadosamente fazia toda sua tarefa de casa. Mesmo assim, ela insistia que não estava fixada em sua fama. “Eu nunca estive presa entre ser uma atriz ou ser uma adolescente,” ela conta. “Eu tinha um vida social e amigos, e fazia filmes, e essas duas coisas nunca competiram uma com a outra.” Ajudava que sua mãe, que acompanhava ela aos sets, a mantinha de castigo: “Ela era minha mãe antes de tudo, e isso fazia a diferença.” (Johansson também conta que sua filha Rose, ainda não expressou desejo por atuar, mas ela deixaria se quisesse.)

Ela trabalhou muito duro por tanto tempo que ela nunca experimentou um momento de “Eu consegui!” Isso inclui a explosão da febre Scarlett em 2003, quando suas performances no romance Encontros e Desencontros e o drama Moça com Brinco de Perola levaram a atriz a uma dupla indicação ao Globo de Ouro, quando Johansson tinha apenas 19 anos. “Eu nunca senti que eu estava arrasando, sabe?” ela diz. “Eu nunca imaginei ter outra carreira, mas definitivamente tiveram momentos que eu pensei em tentar outra coisa dentro da indústria.”

A atriz admite livremente que ela não foi a primeira opção para interpretar a Viúva Negra. Ao dizer isso, conta que teve um “maravilhoso” encontro com Jon Favreau, o diretor de Homem de Ferro 2, “e eu estava tão animada para trabalhar com ele que eu disse ‘Se isso não funcionar, eu sou uma atriz, então me ligue a qualquer momento.’” Depois da atriz original (Emily Blunt) teve de recuar por motivos de agenda, Johansson entrou no papel. “A melhor ligação que você pode receber é quando você é rejeitada para algo mas depois consegue,” ela conta. “Você aprecia mais. Eu basicamente fiz minha carreira em cima de ser a segunda opção.”

Se tornando uma Heroína

Seu papel como Viúva Negra acabou sendo – nas palavras dela – uma mudança em sua vida. “Quando nós fizemos Homem de Ferro 2 eu não sabia se o publico iria gostar da minha interpretação da personagem,” ela conta. Mas ela sabia que era parte de algo especial durante a produção de Os Vingadores (2012) quando os seis Vingadores originais – Viúva Negra, Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Gavião Arqueiro e o Hulk – estavam em um circulo na cidade de NY, prontos para a batalha. “É a icônica cena de herói,” ela diz. “Nós estávamos todos pensando, Isso é loucura! porque esses mundos estavam se juntando. Nós ainda estamos processando o impacto que esses filmes tiveram.”

Situado depois dos eventos de Capitão América: Guerra Civil¸ de 2016, o novo filme encontra a Viúva Negra (Natasha Romanoff) em Budapeste revisitando seu passado complicado. O papel serve como uma salva de aplausos para Johansson, que foi introduzida na personagem em 2010 e ainda sim teve de esperar uma década inteira para um filme solo. Mas, de sua perspectiva como a estrela e co-produtora executiva do filme, o timing foi ideal. “É um filme sobre auto perdão e aceitar decisões que foram feitas por você. É muito mais profundo que qualquer coisa que tenhamos feito antes.”

O elenco inclui novatos da Marvel: Rachel Weisz, David Harbour (Stranger Things) e a indicada ao Oscar por Adoráveis Mulheres, Florence Pugh como colegas espiões. “Eles não são família, pois [Natasha] não tem família, mas eles foram designados a cumprir papeis familiares,” Johansson conta, notando que a personagem de Pugh é como uma irmã. Quando questionada sobre rumores que Tony Stark/Homem de Ferro de Robert Downey Jr. retornaria nesse filme, que se situa antes da morte do personagem em Ultimato, ela apenas sorri. (Peça com gentileza e ela pode te mostrar a tatuagem de “A” que ela tem no seu bíceps direito e também está no corpo de 4 de seus colegas de elenco após Ultimato no ano passado.)

A Seguir… Casamento?

Depois de Rose ir dormir nas noites de sábado, Johansson tenta ficar acordada para assistir Saturday Night Live. Ela conheceu seu futuro noivo – Jost é um nativo da Staten Island – no set de SNL em 2010 durante uma de suas seis passagens pelo programa. “O que vocês vêem é o que você ganha com ele,” ela diz. “Ele é muito otimista, fácil de lidar, engraçado, gentil, e essas são as características que mais me atraem nele.” Eles começaram como amigos e iniciaram o namoro em 2017. “É tão engraçado ter uma relação longa com alguém e então o status do relacionamento mudar,” ela adiciona. Jost realizou o pedido de casamento em 2019, e o impressionante anel de diamante castanho claro de 11 quilates está orgulhosamente à vista em sua mão esquerda.

Existe uma data de casamento no futuro? Sempre a atriz responde “Sem comentários” com uma risada profunda. Mas ela menciona seu monologo no SNL em dezembro, quando ela abraçou seu noivo e o chamou de amor de sua vida. “Sua avó perguntou se ele escreveu essa parte para ela dizer!” ela conta. “E ele falou, ‘Não vó. ’”

Uma vez que eles estiverem prontos com seus comprometimentos de trabalho, o casal vai tirar um tempo de folga. Johansson está supostamente sendo cotada para interpretar a meretriz Audrey em uma nova adaptação para o cinema do musical A Pequena Loja dos Horrores. Ou talvez, ela irá dirigir um projeto. Ou realizar outro trabalho como produtora executiva.

Ou talvez ela vá apenas aproveitar sua vida.

“Eu estou tão acostumada a sempre estar indo, indo e indo,” ela diz. “Eu não tenho tempo de assimilar tudo porque estou sempre indo para o próximo projeto. Ao ficar mais velha, eu tentei me tornar melhor em parar e apreciar. Eu sou a que conta para os meus amigos que um monte de coisas maravilhosas está acontecendo. Eu deveria realmente fazer isso para mim mesma.” 

De Frente com Scarlett

Filme que estou assistindo

“Eu finalmente assisti Uncut Gems [de Adam Sandler]. Mas eu assisti antes de dormir e tive muita ansiedade. Eu amei The Peanut ButterFalcon também.”

Livro que estou lendo

Três Mulheres de Lisa Taddeo. [A diretora de Viúva Negra] Cate Shortland recomendou e é fantástico.”

Série que eu estou maratonando

90 Dias Para Casar.

Série de TV favorita na infância 

“Eu amo todos os shows na Nick at Nite, como I Love Lucy, The Mary Tyler Moore Show Taxi.”

Crush adolescente

“Patrick Swayze era meu tudo. Outro dia nós estávamos assistindo TV e um comercial apareceu para Point Break e eu fiquei tipo, ‘Ahhhhh tão bom! ’”

Talento secreto

“Eu sou muito boa na cozinha. Eu consigo ir até a geladeira e fazer uma refeição com o que tiver nela.”

Memória da Parade

“Nós costumávamos comprar impressa em casa. Era uma das poucas revistas que tínhamos. Tipo, era essa e Car and Driver do meu pai.”

Poder de um super herói

“Eu tenho um problema elétrico estranho. Algo como um interruptor ou um controle remoto vai quebrar se eu colocar minha mão nele. É um tipo de erro comigo.”

Tradução e adaptação: Equipe Scarlett Johansson Brasil.

Fonte: Parade Magazine.

Scarlett Johansson se prepara para uma batalha do mesmo modo que um médico para uma cirurgia, ou um astronauta para um vôo espacial. Cabelo preso em uma arrumada trança, ela mal olha para o familiar traje preto de Natasha Romanoff enquanto afivela cada fivela e fecha cada zíper em uma eficiência rítmica. Apertada em um arsenal do tamanho de um armário em um set na praia de Manhattan, a assassina-agora-vingadora de Johansson está rodeada por todas as armas, facas, e perucas brilhantes que uma super espiã poderia precisar. Ela se movimenta como se estivesse fazendo isso por uma década – porque ela está.

Mas isso é algo novo: não tem Capitão América ou Gavião Arqueiro para ajudá-la, não tem reforços da S.H.I.E.L.D. esperando por ela. Esse é o muito esperado filme solo da Viúva Negra, situado nos tumultuosos anos entre o término do time de super-heróis em Capitão América: Guerra Civil de 2016, e a sua então reunião em 2018 com Vingadores: Guerra Infinita. A missão para qual ela está se preparando é pessoal, uma vez que a antiga agente russa irá enfrentar oponentes de seu passado. Quando uma amiga Viúva, a Melina de Rachel Weisz questiona como elas derrotarão um inimigo particularmente formidável, Natasha responde “Apenas me coloque perto dele.” Não é uma brincadeirinha arrogante e nem um orgulho auto congratulatório, é só uma ameaça sincera de uma espiã que é muito, muito boa no seu trabalho.

Então, assim que Johansson puxa sua última luva, com um estalo satisfatório… escuridão. O estúdio perdeu a energia; no escuro alguém procura por lanternas. Depois de uma rápida investigação, a equipe de produção descobriu que o apagão não era obra de um super-vilão, mas uma explosão em um transformador por perto. A missão de Natasha vai ter de esperar um pouquinho mais, mas tudo bem. A Viúva Negra sabe esperar.

Quando Johansson fez sua estréia como Viúva Negra em Homem de Ferro 2em 2010, o então nascente Universo Cinematográfico Marvel estava mais para uma pequena galáxia. Hoje, ele representa a franquia de maior lucrabilidade de todos os tempos, uma impressionante, de mais de 20 filmes, bola de destruição que destruiu recordes de bilheteria e transformou personagens obscuros das histórias em quadrinhos em nomes extremamente memoráveis. Dentre eles está Romanoff, a super espiã com cabelo escarlate e sem super poderes. A interpretação de Johansson se tornou imediatamente favorita dos fãs, graças a seu sarcasmo e sua constante vontade de meter a porrada, além de sua dramática evolução – ela vai de ser a disfarçada assistente pessoal de Tony Stark para membro fundador dos vingadores para enfim salvadora do universo. 

Agora, depois de 10 anos e sete filmes, essa aranha finalmente vai embarcar em uma aventura solitária. Cate Shortland dirige o filme solo da Viúva Negra, (nos cinemas dia 29 de Outubro), uma prequel que acompanha Nat antes – alerta de spoiler! – de seu sacrifício para derrotar Thanos no filme do ano passado Vingadores: Ultimato. A Natasha que conhecemos está acostumada a olhar pra frente e não para trás: Primeiramente treinada para ser mortífera ainda enquanto menina no programa secreto soviético Sala Vermelha, ela trabalhou como uma assassina e agente do KGB em algumas missões nem tanto heróicas. Desde então ela dedicou sua vida à buscas mais virtuosas, como prevenir invasões alienígenas (diversas vezes) ou ensinar ao Hulk auto amor. Agora ela é forçada a reexaminar sua história – e traumas passados – quando ela é sugada para uma conspiração relacionada à Sala Vermelha. “Eu achei que seria interessante explorar essa parte da vida dela antes de ela se rejuntar aos Vingadores, antes de ela realizar aquele supremo sacrifício,” Johansson explica. “Como ela se tornou essa pessoa completa formada de todas essas peças quebradas?”

Johansson – recentemente indicada a duas categorias principais no Oscar por Jojo Rabbit História de um Casamento – conta que ela e o presidente da Marvel Studios, Kevin Feige discutiram sobre um potencial filme solo pela primeira vez na press tour de Os Vingadores em 2012, como apenas uma “pequena ponta de uma idéia.” Enquanto seus colegas vingadores como Capitão América e Thor ganhavam segundos e terceiros filmes, Natasha continuou a evoluir dentro da história principal do UCM até sua morte em Ultimato, um final nobre para um personagem que dedicou sua carreira heróica para tentar consertar seus erros passados, “Nós estivemos planejando a conclusão da Saga do Infinito pelos últimos cinco ou seis anos, e a jornada de Natasha durante esses filmes tornou-se a prioridade,” explica Feige. “A noção de quebrar esse enredo e investir em um filme solo que se passaria no passado, para uma personagem que nós já conhecemos e já estávamos seguindo, não me parecia certo.”

Mesmo quando jornalistas e fãs questionavam repetidamente Johansson sobre quando a Viúva Negra ganharia um filme solo, a atriz estava na duvida se isso seria algo que ela sequer queria. “Eu estava tipo, ‘acho que estou bem assim, ’” admite Johansson. “Se nós fossemos fazer isso, teria de ser criativamente gratificante. Eu trabalhei tanto tempo, e eu tenho que me sentir desafiada. Eu não queria fazer a mesma coisa que já fiz antes.”

O que mudou sua opinião foi encontrar com Shortland, uma diretora australiana conhecida por seus filmes independentes protagonizados por mulheres como Somersault de 2004. “Nós nos ligamos sobre histórias de confiança, intimidade e sobre mulheres sobreviventes.,“ diz Shortland sobre aquela conversa inicial. “Você não tinha que ser um super herói para se identificar com uma mulher que teve uma infância realmente difícil e sobreviveu, e tem um enorme coração e ajuda outras pessoas.” Shortland – a primeira diretora solo na história do UCM – não tinha planejado a embarcar em filmes de super heróis, mas ela ficou intrigada pela resiliência da Viúva Negra (e sua falta de super poderes). Weisz de 50 anos diz: “Mesmo sendo um universo ficcional, do jeito que a Cate o dirige, eu acho que é meio real.”

“Quando eu olhei para os filmes passados, existe muita ciosa de fora da personagem, para que ela seja vista e meio que objetificada,” adiciona Shortland. “Muitas vezes nós não conseguimos ver quem ela realmente é quando ela está sozinha – quem ela é quando ela tira a mascara de heroína.”

A MAIORIA DE VIÚVA NEGRA TIRA ESSA MÁSCARA

Ao longo dos anos, Marvel nos deu alguns vislumbres do passado de Nat – uma referência de Budapeste aqui, um flashback da Sala Vermelha ali – mas o novo filme mergulha mais profundamente. “Uma prequel que simplesmente completa as lacunas de coisas que você já conhece não é tão animador,” diz Feige. “Como ela conseguiu o ferrão da Viúva? Como ela aprendeu a dar um mortal? Isso não importa.”

O que importa mesmo são as pessoas em volta da Natasha, e como eles a ajudaram a se moldar. Com os Vingadores temporariamente ausentes, ela se vira para a única outra família que ela conhece: um bando de espiões russos que se disfarçaram juntos como uma família quando Natasha era uma criança. Tem Weisz como a misteriosa Melina, que também é uma Viúva treinada. Tem Florence Pugh (também indicada ao Oscar recentemente) como Yelena Belova, uma aluna sem noção da Sala Vermelha a qual Nat vê como uma estranha irmã mais nova. (Como muitas irmãs, elas resolvem suas diferenças dando uma surra uma na outra.) E tem David Harbour como Alexei, o Guardião Vermelho, a resposta soviética para o Capitão América (se o Cap fosse um barbudo, velho bobalhão). “Eu achei que seria um filme clássico de ação, mas então acabou que era um estudo de personagens reais em uma família disfuncional,” diz Harbour, de 45 anos.

Para interpretar esse vínculo familiar, o elenco teve que se aproximar muito – tipo, muito mesmo. Johansson e Pugh apenas se encontraram algumas vezes antes de gravarem as primeiras cenas do filme: uma brutal luta entre Natasha e Yelena, que não se viam há anos. “Imediatamente nós estávamos no espaço da outra, tipo ‘Ok, eu vou pegar seu braço e você coloca sua mão embaixo do meu joelho, ’” se lembra Johansson.

“Eu me lembro de pensar na época, ‘Essa é a única forma de nos conhecermos, ‘” adiciona com uma risada Pugh, de 24 anos.

Os Vingadores podem ter um elenco feminino diverso agora, mas em 2010, a Viúva Negra era a única Vingadora. Hoje, com filmes como Capitã Marvel Mulher-Maravilha dominando as bilheterias, um filme solo de uma super heroína se distanciou do apenas imaginário. Para Johansson, é uma mudança muito bem vinda, e mesmo sendo gradual, ela a sentiu de verdade quando filmou Guerra Infinita Ultimato, lutando contra alienígenas ao lado da Okoye de Danai Gurira e a Feiticeira Escarlate de Elizabeth Olsen, ou ao assistir a Capitã Marvel de Brie Larson entrar no set pela primeira vez. “Para qualquer um que me disse, “Ah, isso [o filme solo da Viúva Negra] deveria ter acontecido 10 anos atrás’, eu sinto que não seria tão impactante. Nós simplesmente não conseguiríamos fazê-lo. “Esse filme está acontecendo agora como resultado do que está acontecendo no mundo hoje, e eu acho que isso é super legal.”

O segredo, Johansson argumenta, não é apenas escalar super heroínas, mas contar histórias femininas distintas. (Ela se lembra de ter ouvido que o filme da Viúva Negra “poderia ser como Bourne, mas com uma mulher.”) “Eu acho que a força dessa personagem realmente se encontra m sua vulnerabilidade e na sua aceitação disso,” ela diz. “Ela tem uma inteligência emocional que a permitiu sobreviver sem nenhum super poder. Ela é alguém que resolve problemas. Ela é pragmática. Eu acho que muitas dessas características são inerentemente femininas.”

E mesmo Natasha já tendo encontrado seu fim no fundo daquele precipício em Vormir, Johansson quer que seu legado continue vivo. “Eu espero que esse filme continue empurrando os limites, para que nós podemos ter super heroínas que são femininas apenas, e não são só o Batman de saltos ou algo do tipo,” ela adiciona.

Nesse meio tempo, Johansson tem que terminar seu filme solo de uma super heroína. Com a data de estréia próxima, ela e Shortland têm estado fazendo mudanças de última hora. Esse filme marca a primeira vez que Johansson tomou o cargo de produtora executiva no UCM, e ela admite que se sente super protetora em relação à Nat e como sua história será contada.

“Quando nós fizemos a San Diego Comic-Com [em 2019], eu me lembro de estar com tanto medo e tão nervosa,” Pugh se lembra de quando subiu no palco com Johansson. “E quando nós descemos do palco, estávamos de mãos dadas, e ela estava tão nervosa quando eu.”

Para sua estrela, Viúva Negra é a culminação de esforços de uma década inteira; e, como aponta Johansson, Natasha não é a única que mudou ao longo dos anos. “Esse filme é basicamente o resultado dessa jornada, minha própria jornada pessoal,” ela diz. “Eu sinto que antes, eu não estava tão empenhada ou capacitada de ir para esses lugares desconfortáveis, vergonhosos e feios. Eu acho que ao ficar mais velho você começa a confiar mais em si mesmo.”

Apesar de tudo, as vezes, espiões conseguem os melhores resultados não dominando um disfarce mas sim ao tirá-lo. “Talvez eu nem estivesse tão curiosa sobre essas partes da Natasha antes,” diz Johansson. “Talvez eu estivesse mais interessada em usar todas essas máscaras, e agora eu estou mais interessada em o que existe por de trás delas.”

Tradução e adaptação: Scarlett Johansson Brasil.

Fonte: Entertainment Weekly.

Em nota ao EW, Scarlett Johansson esclareceu a confusão acerca da entrevista para a As If Magazine:

“A entrevista foi editada para haver click bait e está descontextualizada.
A pergunta que eu estava respondendo na minha conversa com o artista contemporâneo David Salle era sobre o confrontamento entre o politicamente correto e a arte. Eu pessoalmente sinto que, num mundo ideal, qualquer ator deveria ter permissão de interpretar qualquer pessoa, e arte, em todas as formas, deve ser imune ao politicamente correto. Essa foi a observação que eu fiz, apesar de não ter saído dessa maneira. Eu reconheço que na realidade há uma grande discrepância na minha indústria que favorece atores caucasianos e cis-gênero e nem todo ator tem as mesmas oportunidades que eu fui privilegiada de ter. Eu continuo a apoiar, e sempre irei, diversidade em todas as indústrias e continuarei a lutar por projetos nos quais todos estão incluídos.”

Scarlett teve sua entrevista distorcida pelo site Daily Week para que suas respostas parecessem excludentes para com minorias.

A entrevista completa está disponível aqui.