Até as maiores atrizes precisam de um lema. Um mantra. Algo para colocar em uma nota adesiva no espelho do banheiro.

Para Scarlett Johansson, seu princípio ultimamente: “É ótimo deixar uma festa que ainda está acontecendo,” ela diz.

Claro, ela está falando do seu alter ego dentro da tela – Natasha Romanoff/Viúva Negra da franquia dos “Vingadores” e do novo filme “Viúva Negra”.

A pergunta do momento: Ela consideraria retornar novamente se o mundo precisar de salvamento adicional?

Johansson, com a sua voz rouca que virou marca registrada, mantém, “Tem sido uma década da minha vida e estou grata.”

Então isso é um talvez? “Se você ama algo, deixe ir,” ela insiste com uma risada.

Em “Viúva Negra,” finalmente estreando em 9 de julho depois de mais de um ano de adiamento devido ao COVID, ela estrela em um filme solo no Universo da Marvel pós-“Vingadores: Ultimato.” Ela reprisa papeis duplos em uma prequel situada entre os filmes “Guerra Civil” e “Guerra Infinita.” O filme também conta com a presença de Florence Pugh, David Harbour, Rachel Weisz e William Hurt.

Agora com 36 anos, e atuando desde que era uma criança, a nova-iorquina nativa está casada com o membro de elenco do “SNL” Colin Jost e é mãe da filha Rose, de 6 anos, com o ex Romain Dauriac. Depois disso estará reprisando sua dublagem de Ash em “Sing 2.”

Review-Journal: Qual é sua ideia de um domingo ideal?

SJ: Eu estou em Nova Iorque com minha família. A gente anda por aí e aproveita as vistas e cheiros da cidade. Essa cidade é uma nova história a cada dia. Talvez a gente veja um filme. Quando chegamos em casa, eu tomo um banho demorado e então eu amo cozinhar o jantar. Eu acho cozinhar muito relaxante.

Os fãs esperaram muito tempo para “Viúva Negra” ser lançado devido ao COVID. Teve algo de positivo nisso?

A pandemia nos permitiu continuar trabalhando no filme e aperfeiçoa-lo. Eu acredito que o filme vai valer a espera.

Em algum momento, existiu um pensamento para acabar com a jornada da Natasha, uma vez que nós a vimos se sacrificar ao se jogar do penhasco de uma montanha em “Ultimato?”

Honestamente, eu teria ficado tão feliz de acabar com isso em “Ultimato” e cair fora, mas então esse filme veio à tona. Eu estou tão feliz que fizemos um filme solo porque eu queria responder as perguntas que os fãs tinham sobre essa personagem e os segredos que sempre assombraram ela. O filme parece vivo, novo e poderoso. Estou muito contente com o trabalho, e foi ótimo voltar para algo que eu amo.

Por que a Natasha/Viúva Negra é tão querida pelos fãs?

É a vulnerabilidade dela. Ela colocava aquela cara corajosa como uma Vingadora, mas ela estava sempre lidando com problemas mais profundos envolvendo confiança e família. Nós conseguimos descascar as camadas dessa cebola com o filme próprio dela. Ela é uma pessoa tão cerebral. Sim, ela está envolvida na ação toda, mas ela é uma pensadora, o que faz dela uma super-heroína interessante.

Por que não vimos um filme da Viúva Negra antes? E o que o filme revela?

Eu acho que tudo acontece no tempo certo. É melhor fazer isso agora porque eu tenho um conhecimento mais profundo da personagem, que é na verdade bem complexa. No filme novo, encontramos Natasha em uma situação complicada onde ela não tem ninguém para ligar e nenhum lugar para ir. Ela está se segurando nela mesma. Ela está em um momento no qual ela não sabe o que fazer em seguida… Eu não teria conseguido fazer esse filme 10 anos atrás. Eu não teria tido a confiança para fazê-lo.

Qual é a melhor parte desse trabalho?

É o fato de que essa personagem mudou drasticamente ao longo da década que eu a interpretei. Quando você e eu conhecemos ela pela primeira vez, ela começou posando como uma mulher sexy com um conjunto de habilidades em segredo. Na vez seguinte que a vimos no filme dos Vingadores, ela era do pessoal… para o bem ou para o mal. E agora ela tem a própria história, o que é um tanto surreal. Eu amei encontrá-la em diferentes pontos da sua vida.

Ao longo dos anos foi bom ver outras mulheres como a Elizabeth Olsen entrarem na luta?

Foi ótimo porque criou um elenco mais diverso, mas também foi legal de um ponto de vista emocional. Quando a Lizzie entrou, a gente ficou se apoiando uma na outra. Eu tinha estado nessa festa de testosterona por tanto tempo, então foi muito bom ver outra personagem feminina entrando.

É intimidante interpretar um super-herói?

Absolutamente no começo, eu tive uns momentos de nervosismo. Eu não sabia como o público reagiria às minhas interpretações dessa personagem querida. De repente, eu fui colocada nisso e a gente foi rolando. Eu também estava no meio de muitos personagens fortes que eu tinha que fazer o meu melhor para deixar uma marca, então definitivamente tem sido desafiante — e nós nem começamos a falar sobre as cenas de ação.

Como você mudou ao longo dos anos interpretando ela?

Tem sido uma jornada interessante. Eu estou em um lugar diferente na minha vida. Basicamente, eu estou me perdoando mais como uma mulher. Eu me aceito mais. A partir de uma certa idade, você vem a si e abraça seu valor próprio. Você evolui com o tempo, o que é uma coisa muito boa. E quando você pode olhar para um trabalho como esse, é quase como um álbum de fotos de onde você estava em certos pontos da sua vida.

Você já esperou um romance entre a Viúva Negra e o Hulk? Sempre pareceu ter algo ali, apesar de ele ter problemas de estresse.

Obviamente, esses dois tem um pouco de história juntos. Eles aproveitam o tempo que estão salvado o mundo. Talvez exista outro universo onde existe um romance, mas essa Natasha sabe que ela está nesse mundo para um propósito maior e não é sobre a sua vida amorosa. Isso não está na sua agenda dessa vez. Ela é uma super-heroína. Que segue seu próprio caminho sentindo ou não algo pelo Hulk.

Você guardou algo do set? O Halloween está aí.

Nadica de nada. Cada um dos trajes está em uma sala de propriedade da Marvel.

E agora que acabou… algumas últimas palavras?

Isso ficou maior do que nos meus sonhos mais loucos. Eu nunca poderia imaginar aonde isso iria levar todos nós, mas fico feliz que eu estava lá nessa jornada.

Entrevista retirada do Review-Journal