Não muito longe de sua casa em Nova Iorque, num dia ensolarado no começo de Março, Scarlett Johansson chega para seu photoshoot da Paradedepois de deixar sua filha de cinco anos, Rose, na escola. (Essa entrevista e o photoshoot ocorreram antes da quarentena do novo Corona Vírus.) Um pouco mais tarde, ela pegará Rose e voltará para seu apartamento que ela também compartilha com seu noivo, co-escritor do Saturday Night Live e co-âncora do Weekend Update, Colin Jost.

Ah, é basicamente um dia da semana qualquer (quando esses dias eram possíveis, há apenas seis semanas atrás), apesar de “qualquer” é relativo quando você é uma aclamada, mundialmente renomada atriz, e seu novo filme Viúva Negra, está se moldando para ser um hit.

De fato, com todo respeito a um de seus heróis do Baseball – do seu amado New York Yankees, o superstar Derek Jeter – Johansson é a que está entregando grandes hits hoje em dia. Aos 35, a antiga atriz mirim é a mulher mais bem paga das bilheterias no mundo, tendo trazido mais de 14 bilhões de dólares em ingressos. Ela se provou mestre em comédia (Sing – Quem Canta Seus Males Espanta), ação (Lucy) e dramas dignos de prêmios (sua impressionante dupla indicação ao Oscar de 2019 com História de um Casamento Jojo Rabbit). E ela fez tudo isso enquanto ganhava uma legião de fãs como a antiga agente russa da KGB que virou Vingadora, a Viúva Negra em sete filmes da Marvel. Com Viúva Negra, ela finalmente pode estrelar seu próprio filme.

Nascida em Nova Iorque

Crescendo no agitado e boêmio bairro de Manhattan, Greenwich Village com três irmãos (incluindo um irmão gêmeo, Hunter), Johansson foi exposta à cultura e ao ativismo já quando jovem, pela sua mãe, Melanie, uma dona de casa com ancestralidade judia da Europa Central, e seu pai, Karsten, um arquiteto nascido na Dinamarca. “Eu estava muito atenta a respeito da importância de ser um membro ativo da sociedade e ser politicamente ativa e socialmente consciente,” ela se lembra, adicionando que sua avó fazia parte de “todas as associações de inquilinos e bairros. Eu costumava ir com ela para essas reuniões.” Hunter, ela diz, começou uma organização que fornece painéis solares para estações de primeiros socorros.

Johansson diz com uma ponta de melancolia que sua mãe, pai e irmãos há muito tempo se mudaram do apartamento que uma vez guardou tantas memórias, sonhos e esperanças. “É a casa de infância de outra pessoa agora,” ela diz. Mas ela deixa claro para Rose qual é a casa toda vez que elas passam em frente. “Um dos maiores privilégios de criar seus filhos onde você cresceu é que você pode fazer coisas e ver coisas que você fez quando era criança.” 

Quando não existe a quarentena, as duas fazem de tudo juntas, desde visitar o zoológico do Bronxaté ir para os parquinhos no Central Park e ver as Rockettes no Radio City Music Hall. (O pai de Rose é o ex-marido de Johansson, executivo de marketing francês Romain Dauriac.)

Febre Yankee

A paixão acionada quando jovem e que dura até hoje. Era um problema que sua família não seguia o mesmo time? Nem um pouco. A jovem Scarlett Johansson era determinada a viver o sonho de… ser uma fã do New York Yankees.

“Eles estavam arrasando quando eu estava no Ensino Médio,” a atriz diz sobre os campeões do World Series de 1998 até 2000. “Eles tinham esse time incrível só com estrelas.” 

Então, enquanto seus avós, pais e irmãos eram loucos pela rival New York Mets, Johansson e seu então namorado regularmente iam para jogos dos Yankees no Bronx, onde ela torcia pelo seu jogador favorito, Derek Jeter. “Eu o amava,” ela se lembra. “Eu mantinha a carta dele na minha carteira!”

Infelizmente, o noivo de Johansson tem uma obsessão hard-core com, pasmem, o New York Mets. “É um assunto sombrio,” ela diz, chacoalhando a cabeça. “Ele só me disse que preferia ver o [Boston] Red Sox vencer que o Yankees. Tipo, QUÊ?! Eu disse que eu ia apenas ignorar isso.”

A Louca da Atuação

Enquanto criança, Johansson amava ver filmes antigos de Hollywood, incluindo os clássicos da Judy Garland, musicais de Rodgers e Hammerstein e fantasias da Disney, como Operação Cupido de 1961 (que, aliás, ela acabou de mostrar para sua filha pela primeira vez). “Eu sumia nesses filmes e me tornava esses personagens,” ela diz. Sua mãe a inscreveu para audições para comerciais que nunca foram ao ar. Ah, claro, ela foi escalada para Esqueceram de Mim 3 em 1997 e para O Encantador de Cavaloscom Robert Redford, em 1998, mas nenhum dos dois foi de grande importância para alavancar sua carreira artística. “Desde muito criança, eu fui constantemente rejeitada,” ela diz. “Quando as pessoas começam a me pedir conselhos, eu sempre digo para ficar de mente aberta, porque nunca se sabe.”

A determinada adolescente agarrou papeis em três filmes de 2001 (incluindo o bem recebido GhostWorld – Aprendendo a Viver), tudo enquanto freqüentava a escola de Crianças Profissionais e cuidadosamente fazia toda sua tarefa de casa. Mesmo assim, ela insistia que não estava fixada em sua fama. “Eu nunca estive presa entre ser uma atriz ou ser uma adolescente,” ela conta. “Eu tinha um vida social e amigos, e fazia filmes, e essas duas coisas nunca competiram uma com a outra.” Ajudava que sua mãe, que acompanhava ela aos sets, a mantinha de castigo: “Ela era minha mãe antes de tudo, e isso fazia a diferença.” (Johansson também conta que sua filha Rose, ainda não expressou desejo por atuar, mas ela deixaria se quisesse.)

Ela trabalhou muito duro por tanto tempo que ela nunca experimentou um momento de “Eu consegui!” Isso inclui a explosão da febre Scarlett em 2003, quando suas performances no romance Encontros e Desencontros e o drama Moça com Brinco de Perola levaram a atriz a uma dupla indicação ao Globo de Ouro, quando Johansson tinha apenas 19 anos. “Eu nunca senti que eu estava arrasando, sabe?” ela diz. “Eu nunca imaginei ter outra carreira, mas definitivamente tiveram momentos que eu pensei em tentar outra coisa dentro da indústria.”

A atriz admite livremente que ela não foi a primeira opção para interpretar a Viúva Negra. Ao dizer isso, conta que teve um “maravilhoso” encontro com Jon Favreau, o diretor de Homem de Ferro 2, “e eu estava tão animada para trabalhar com ele que eu disse ‘Se isso não funcionar, eu sou uma atriz, então me ligue a qualquer momento.’” Depois da atriz original (Emily Blunt) teve de recuar por motivos de agenda, Johansson entrou no papel. “A melhor ligação que você pode receber é quando você é rejeitada para algo mas depois consegue,” ela conta. “Você aprecia mais. Eu basicamente fiz minha carreira em cima de ser a segunda opção.”

Se tornando uma Heroína

Seu papel como Viúva Negra acabou sendo – nas palavras dela – uma mudança em sua vida. “Quando nós fizemos Homem de Ferro 2 eu não sabia se o publico iria gostar da minha interpretação da personagem,” ela conta. Mas ela sabia que era parte de algo especial durante a produção de Os Vingadores (2012) quando os seis Vingadores originais – Viúva Negra, Homem de Ferro, Thor, Capitão América, Gavião Arqueiro e o Hulk – estavam em um circulo na cidade de NY, prontos para a batalha. “É a icônica cena de herói,” ela diz. “Nós estávamos todos pensando, Isso é loucura! porque esses mundos estavam se juntando. Nós ainda estamos processando o impacto que esses filmes tiveram.”

Situado depois dos eventos de Capitão América: Guerra Civil¸ de 2016, o novo filme encontra a Viúva Negra (Natasha Romanoff) em Budapeste revisitando seu passado complicado. O papel serve como uma salva de aplausos para Johansson, que foi introduzida na personagem em 2010 e ainda sim teve de esperar uma década inteira para um filme solo. Mas, de sua perspectiva como a estrela e co-produtora executiva do filme, o timing foi ideal. “É um filme sobre auto perdão e aceitar decisões que foram feitas por você. É muito mais profundo que qualquer coisa que tenhamos feito antes.”

O elenco inclui novatos da Marvel: Rachel Weisz, David Harbour (Stranger Things) e a indicada ao Oscar por Adoráveis Mulheres, Florence Pugh como colegas espiões. “Eles não são família, pois [Natasha] não tem família, mas eles foram designados a cumprir papeis familiares,” Johansson conta, notando que a personagem de Pugh é como uma irmã. Quando questionada sobre rumores que Tony Stark/Homem de Ferro de Robert Downey Jr. retornaria nesse filme, que se situa antes da morte do personagem em Ultimato, ela apenas sorri. (Peça com gentileza e ela pode te mostrar a tatuagem de “A” que ela tem no seu bíceps direito e também está no corpo de 4 de seus colegas de elenco após Ultimato no ano passado.)

A Seguir… Casamento?

Depois de Rose ir dormir nas noites de sábado, Johansson tenta ficar acordada para assistir Saturday Night Live. Ela conheceu seu futuro noivo – Jost é um nativo da Staten Island – no set de SNL em 2010 durante uma de suas seis passagens pelo programa. “O que vocês vêem é o que você ganha com ele,” ela diz. “Ele é muito otimista, fácil de lidar, engraçado, gentil, e essas são as características que mais me atraem nele.” Eles começaram como amigos e iniciaram o namoro em 2017. “É tão engraçado ter uma relação longa com alguém e então o status do relacionamento mudar,” ela adiciona. Jost realizou o pedido de casamento em 2019, e o impressionante anel de diamante castanho claro de 11 quilates está orgulhosamente à vista em sua mão esquerda.

Existe uma data de casamento no futuro? Sempre a atriz responde “Sem comentários” com uma risada profunda. Mas ela menciona seu monologo no SNL em dezembro, quando ela abraçou seu noivo e o chamou de amor de sua vida. “Sua avó perguntou se ele escreveu essa parte para ela dizer!” ela conta. “E ele falou, ‘Não vó. ’”

Uma vez que eles estiverem prontos com seus comprometimentos de trabalho, o casal vai tirar um tempo de folga. Johansson está supostamente sendo cotada para interpretar a meretriz Audrey em uma nova adaptação para o cinema do musical A Pequena Loja dos Horrores. Ou talvez, ela irá dirigir um projeto. Ou realizar outro trabalho como produtora executiva.

Ou talvez ela vá apenas aproveitar sua vida.

“Eu estou tão acostumada a sempre estar indo, indo e indo,” ela diz. “Eu não tenho tempo de assimilar tudo porque estou sempre indo para o próximo projeto. Ao ficar mais velha, eu tentei me tornar melhor em parar e apreciar. Eu sou a que conta para os meus amigos que um monte de coisas maravilhosas está acontecendo. Eu deveria realmente fazer isso para mim mesma.” 

De Frente com Scarlett

Filme que estou assistindo

“Eu finalmente assisti Uncut Gems [de Adam Sandler]. Mas eu assisti antes de dormir e tive muita ansiedade. Eu amei The Peanut ButterFalcon também.”

Livro que estou lendo

Três Mulheres de Lisa Taddeo. [A diretora de Viúva Negra] Cate Shortland recomendou e é fantástico.”

Série que eu estou maratonando

90 Dias Para Casar.

Série de TV favorita na infância 

“Eu amo todos os shows na Nick at Nite, como I Love Lucy, The Mary Tyler Moore Show Taxi.”

Crush adolescente

“Patrick Swayze era meu tudo. Outro dia nós estávamos assistindo TV e um comercial apareceu para Point Break e eu fiquei tipo, ‘Ahhhhh tão bom! ’”

Talento secreto

“Eu sou muito boa na cozinha. Eu consigo ir até a geladeira e fazer uma refeição com o que tiver nela.”

Memória da Parade

“Nós costumávamos comprar impressa em casa. Era uma das poucas revistas que tínhamos. Tipo, era essa e Car and Driver do meu pai.”

Poder de um super herói

“Eu tenho um problema elétrico estranho. Algo como um interruptor ou um controle remoto vai quebrar se eu colocar minha mão nele. É um tipo de erro comigo.”

Tradução e adaptação: Equipe Scarlett Johansson Brasil.

Fonte: Parade Magazine.